Quando olho para trás, percebo o encanto das primeiras vezes: a primeira ida à escola, a primeira vez dirigindo, o primeiro dia de trabalho… Hoje, parecem momentos mágicos, cheios de significado.
Mas, quando estavam acontecendo, a sensação era bem diferente. O frio na barriga, a incerteza, o medo de errar… na hora, o novo vem acompanhado de um combo de sentimentos desconfortáveis. Ainda assim, fui. Mesmo sem saber ao certo como, segui em frente. Só depois é que a magia aparece, quando o medo já passou e restam as lembranças do caminho percorrido.
E aí me pego querendo reviver primeiras vezes, desejando sentir novamente o brilho do inédito, sem lembrar que ele sempre chega com desafios. Será que o que quero é, de fato, viver algo novo? Ou só a parte encantadora, esquecendo que o novo também traz insegurança, esforço e desconforto?
Crescer exige bancar o pacote completo. E talvez a pergunta não seja apenas “o que quero viver de novo?”, mas “estou disposta a lidar com tudo o que o novo traz?” Ou, quem sabe, seja interessante apenas apreciar o processo do agora, este momento aqui, sem precisar buscar algo novo nem se prender ao que já passou.