Quando completei 18 anos, eu queria muito fazer uma tatuagem.
Para mim, aquilo representava liberdade.
Eu tinha passado boa parte da vida ouvindo “não pode”, “não deve”, “não faça”. Então, quando finalmente tive idade para decidir por mim mesma, quis marcar aquilo de alguma forma.
A primeira oportunidade apareceu bem perto da minha casa.
Era uma barbearia.
E foi lá que eu fiz minha primeira tatuagem.
Na costela.
Em pé.
Durante o processo eu gritei boa parte do tempo. A barbearia estava cheia de homens e eu conseguia ouvir eles cochichando e comentando entre si.
Aquilo me deixou extremamente constrangida.
Mas eu continuei ali.
O problema é que a tatuagem ficou diferente do que eu imaginava. Ficou maior, mais misturada, diferente do desenho que eu tinha pedido.
E eu não tive coragem de falar nada.
Hoje eu olho para aquela tatuagem e penso que faria tudo diferente. Escolheria outro lugar, outro momento, outro estúdio.
Mas, ao mesmo tempo, ela tem um significado. Ela representa quatro mulheres muito importantes na minha vida: minha avó, a pessoa que me deu a luz, e duas tias que, em determinados momentos, exerceram um papel materno para mim.
Então, mesmo sendo uma decisão impulsiva, ela carrega uma história.
Hoje eu faria de outro jeito. Mas também reconheço que, naquela época, eu estava aprendendo algo importante: liberdade sem maturidade às vezes nos leva a decisões apressadas.
E crescer também é aprender a olhar para essas escolhas com mais compreensão do que julgamento.