Quando eu era criança, eu tinha duas amigas que eram irmãs gêmeas.
Também tinha dois amigos que eram irmãos.
E, por algum motivo, naquele dia os irmãos não queriam brincar com as minhas amigas gêmeas.
Então eu inventei uma brincadeira de esconde-esconde.
Mas não era um esconde-esconde normal.
Era um esconde-esconde em que a gente iria fugir delas.
Na minha cabeça de criança, aquilo parecia divertido.
Parecia uma aventura.
Nós ficamos andando pelas ruas, nos escondendo, tentando não ser encontrados.
Só que aquilo durou muito tempo.
E em determinado momento um dos meus amigos perguntou algo muito simples:
“Por que você não diz para elas que hoje quer brincar com a gente?”
Aquilo me deu um choque.
Porque eu percebi que eu poderia simplesmente ter sido honesta.
Mas eu tinha medo de desagradar.
Quando finalmente encontrei as minhas amigas novamente, elas estavam tristes.
E eu me senti muito mal.
Até hoje, quando lembro dessa história, sinto um pouco de vergonha.
Eu era criança, não sabia lidar com conflitos, mas ainda assim percebo que poderia ter sido diferente.
Às vezes ser honesta é muito mais simples do que inventar caminhos para evitar uma conversa difícil.