Tenho um sentimento confuso em relação a essa semente.
Ganhei no meu aniversário — uma semente de girassol.
E eu nunca fui de plantar nada.
Além de um feijão, lá na escola, porque era tarefa.
Depois disso, nunca mais.
E agora estou aqui, vivendo essa experiência como se fosse algo enorme.
Todos os dias eu acordo e vou ver como ela está.
Antes de dormir, olho de novo.
Se passo por perto, dou uma espiada.
É quase automático.
Tem dias em que ela está murcha.
E eu penso: morreu.
Pronto. Acabou.
No dia seguinte, ela parece um pouco mais ereta, um pouco mais verde.
E eu fico confusa.
Eu realmente não entendo esse processo.
Já apareceram pequenas “mordidas” nas folhas.
Ela é tão pequena.
Tem poucas folhas.
E mesmo assim já perdeu pedaços — algum bichinho decidiu que aquilo também era alimento.
E isso me desperta algo curioso.
Como pode algo tão frágil já precisar lidar com perdas?
Eu pesquisei e descobri que um girassol pode demorar até um ano para florescer.
Um ano.
Antes disso, eu estava há uns dez dias acreditando que cada dia seria “o dia”.
Acordava esperando a flor.
Como se o tempo obedecesse à minha expectativa.
Agora estou aceitando que talvez o girassol nem chegue a aparecer.
Talvez não floresça.
Talvez pare no meio do caminho.
E, ainda assim, eu continuo olhando.
Continuo regando.
Continuo esperando.
Enquanto escrevo isso, percebo que ficou mais poético do que eu imaginava.
Era pra ser só uma legenda simples sobre a minha percepção.
Mas não é só sobre uma planta.
É sobre acompanhar processos que eu não controlo.
É sobre tolerar o tempo das coisas.
É sobre não saber se vai florescer — e ainda assim continuar cuidando.
Eu não sei se vai dar certo.
Mas estou aqui, presente, todos os dias.
E talvez, no fundo, crescer seja isso:
regá-lo mesmo sem garantia de flor.